DR comigo

Não mencionei a fundo a dúvida que fiquei sobre a tranquilidade do Fabio com nossa decisão tomada. Só brevemente aqui, no subtítulo Pausa.

Pois bem, não achei que foi pra valer quando ele topou prontamente ter um relacionamento aberto. E hoje tenho certeza de que não foi. Ele somente soube me libertar quando pedi liberdade. Menino bonito. Ele nem ficou com ninguém até hoje… :/

Mas agora, depois de muita conversa, nossas diferenças de caminhos estão evidentes. E provavelmente e muito em breve vamos partir caminhos. Buscamos felicidades diferentes e temos carinho o suficiente um pelo outro pra entender isso.

Minha primeira separação da primeira relação monogâmica. Começou.

Ela era americana

e difícil de ler.

Não me deu a menor bola. Mas aí a gente se encontrou no corredor, trocou ideia, desceu tomar um chá. Eu já estava indo dormir. Ela, não sei.
Na cantina, ela não parecia querer saber de mim. Disse logo: I really want to kiss you.

Mais um indicador do meu radar defeituoso.

Eu também queria beijar. Beijei.

Aroma de figo

Viajei a trabalho para a Turquia. Ficamos, mais de 500 pessoas, sequestradas em uma universidade para um congresso. Eu estava cansada e focada no trabalho demais para buscar aventuras.

Mas, lá pelo quinto dia, eu já havia identificado duas pessoas que mexiam comigo. Eu sei, sou exigente. De 500, só duas… rs

Enfim: havia uma garota americana nitidamente lésbica e com um perfil que me atrai muito: pequena, magrinha, de cabelo curtinho, olhos em destaque… e um cara que eu não consegui ler de primeira. A garota não me deu a menor bola. Já o cara…

Mas lá pelas tantas alguém me contou que ele era gay. “Gay, sem chance.” Ou meu radar havia parado de funcionar ou ele saía também com mulheres. Que custa ver? Ele me atraiu muito mesmo.

Damasco ou figo?
Me preparei psicologicamente para não avançar o sinal com o moço sem ter certeza. Eu não sei lidar com o radar sem sinal assim. Mas estávamos nos dando bem, ele já tinha passado a mão no meu cabelo enquanto conversávamos (de um jeito sexy, tá?), combinamos de sair dali, dançar um pouco. Eu quase corri desmentir quem me disse que ele só saía com homens. Mas decidi esperar, meu radar ainda não estava assim confiante.

Saímos. Nós e a torcida do Corinthians. Ou do Besiktas, time turco. rs O cara tinha convidado muitos outros e outras. Ok. Not a date.

Ele passou o tempo com um outro cara não tão interessante (pra mim, não pra ele rs). Fim da linha.  Já fazia duas horas que estávamos lá e uns amigos brasileiros nos encontraram. Alguns dos amigos conhecem o Fabio ou pelo menos sabem que ele existe. E foi a primeira vez que experienciei o que chamo agora de policiamento amigo.

Policiamento amigo
Foda. De uma hora para outra, se formou ao meu redor um cinturão de policiais que impediram que qualquer pessoa chegasse perto de mim. O Fabio ficaria orgulhoso com a cena.

Enquanto isso… o gatinho começou a beijar o outro cara lá. Deu ruim pra mim.

Eu não ía deixar barato o policiamento. Isso não poderia se repetir. Comecei a cavar oportunidades de contar aos amigos que eu não estava engajada na monogamia e que o Fabio sabia e compartilhava.

Eu tinha que lidar com isso. Pude compreender que aquela era apenas a primeira vez que acontecia, que eu teria que aprender a enfrentar todas as que viriam.

Fui contando. As reações foram diversas: olhares de reprovação, ouvidos curiosos, não-reação do tipo cada-um-cada-um. Muitas conversas rolaram depois, especialmente com os curiosos e os que se identificaram. Em um grupo de onze pessoas, dois caras (21 e 23 anos) me contaram que saíam com homens e mulheres e que não tinham muitos relacionamentos monogâmicos.

De qualquer forma, daquele dia em diante, parecia que eu tinha uma causa ali. E conversas sobre o tema surgiam no café da manhã, no jantar…
– Como é isso?
– Não sei ainda.
– E você só fica ou se relaciona mais?
– O que rola.
– Mas e se você se apaixonar?
– E por que não? Posso amar mais de uma pessoa, eu acho.
– Não sei, acho que não.
– …

Foi a primeira vez que tive que falar sobre o Amor Livre. E descobri que é algo que está dentro de mim, não apenas baseado nas minhas poucas experiências de vida. É muito mais o que eu quero que seja e o que eu posso fazer acontecer. É muito mais vontade do que história passada.

Brunch

Passou um tempo, mas não o suficiente para a dúvida que pairava estar resolvida. De qualquer forma, é vida que segue, coração que bate. O Fabio viajou a trabalho mais duas vezes até que eu tivesse resolvido em mim a tranquilidade para estar com outra pessoa sem me sentir traindo ele.

Sim, ele estar viajando foi crucial. Eu não sei ainda dizer olha, tô indo ali. E não dar detalhes. Não foi assim que nos acostumamos, resquício da dominação.

 

A.

Bom, então eis que eu não parei de flertar com aquele amigo que mexia comigo. O mínimo toque desavisado era suficiente para fazer o pensamento parar. Um misto de tesão com curiosidade e carinho demais. Para facilitar, vou chamar ele aqui de A.

Faz três dias, Fabio viajando, fui até a casa de A. para tomar um vinho. Muitos amigos estavam lá e entramos a noite conversando sobre política, mobilização social, manifestações no Brasil… Quando me dei conta, eram mais de 4 horas da manhã e eu estava ali toda me querendo.

Não havia planejado. Até porque me deparei com a dura realidade: desaprendi a fazer isso. Como começar? Tudo bem se eu não quiser só beijar? Como fazer a mão parar de tremer? Estou sendo muito oferecida? Muito intimante? Muito? Bastante vinho. E todos começaram a ir embora.

Essas questões todas foram varridas assim que A. me segurou pela cintura e me apertou contra o seu corpo. Eu pude sentir o corpo dele ali tremendo como o meu e seu pênis duro me intimando.

Só consegui fluir, estar, dar e receber, amar. O mundo foi parando enquanto o dia amanhecia e já não havia mais escuridão para esconder de mim o passo que havia dado.

Mais dúvidas: qual o protocolo? Fico ou vou embora? Durmo? Abraço? Decidi fazer o que quer que tivesse vontade, usando meus sentidos para saber com o que A. estava confortável e só. Mas entendi pela primeira vez as pessoas que narram esses momentos. Não tem resposta certa.

Só me deixei estar até amanhecer mais e fui embora, com a sensação de leveza que fazer amor dá. E a ressaca do vinho.

Nesse dia seguinte, decidi não pensar nos protocolos (isso ainda ía me matar rs). Mando mensagem, ligo, chamo, o que der vontade.

Também decidi ficar tranquila quanto a como lidar com o Fabio. Prefiro não contar espontaneamente. Quero guardar pra mim, como quem não quer dividir o doce para não ficar com menos. Vou deixar fluir.

 

Poliamor

Ainda não deu tempo para amadurecer o episódio, mas já posso dizer que meu coração está tranquilo quanto à convivência de mais de um amor, de amores voláteis ou não. Está tranquilo e saudável.

Dúvida

Ele falou pra valer ou vai se magoar quando eu ficar com alguém? Conto ou não conto? Fico ou não fico? Desenhamos regras ou deixamos fluir? Sou adepta da fruição. Ensaiei bastante essa parte, postergando, sondando, buscando mostrar a ele o que se passava dentro de mim: turbilhão. De repente todo mundo era interessante. Isso passa. Rs