Confundindo

Estava conversando em uma festa com um amigo que não via há um ano mais ou menos. Aquele amigo que quando via batia uma pontinha de vontade, beeem pontinha. Excesso de admiração, talvez.

Ele perguntou do Fabio, falei que estávamos nos separando. Ele falou que estava todo sem rumo no casamento também. E aí eu comecei a falar do pluriamor…

Não demorou, ele me beijou. Eu fiquei confusa demais. Já não tinha mais aquela pontinha de vontade. Só carinho mesmo e a admiração. Correspondi. Estranho demais.

Saí dali 15 minutos depois com um “tudo de bom! força e sorte!”. Mas me sentindo mal demais.

Não vou mais falar assim de pluriamor com o coração aberto e essa paixão toda. Ele confundiu tudo.

Detalhe: A. estava na festa. Saiu sem me dar tchau. Depois citou outros motivos aí… Mas meu coração pesou.

Degustar

Chegou o momento micro revolução.

A adaptação que busquei com o Fabio não rolou. Terminamos. Isso significa finalizar um relacionamento monogâmico de pouco mais de cinco anos, contando para as famílias e os amigos, pensando em quando vamos nos mudar, dividindo as coisas, não mais compartilhando. Não é um processo simples. Mas confesso que tenho mais admiração ainda pelo Fabio e respeito pela forma como ele tá lidando. Especialmente porque eu resolvi estar livre e voar e não mentir.

Os amigos estão se adaptando. Olhando de lado, olhando de frente, dando as mãos, dançando também… cada um no seu jeito de amar e cuidar.

Eu estou toda borboleta embriagada. Imagina a cena.

Experimentando amor, carinho, cuidado de outra maneira. Claro que esse amor colabora na embriaguez. E claro que eu não estou nem um pouco preocupada com o futuro, o rótulo, as consequências. Borboleteando.

Relacionamentos Anárquicos

O amor é abundante e cada relacionamento é único

Os relacionamentos anárquicos questionam a ideia de que o amor é um recurso limitado, que só pode ser real quando restrito a um casal. Você tem a capacidade de amar mais de uma pessoa, e o amor e o seu relacionamento com cada uma delas não os diminui com as outras. Não classifique ou compare relações e pessoas e relacionamentos; leve em conta o indivíduo e sua conexão com ele. Uma das pessoas em sua vida não precisa ser designada como “a principal” ou “primária” para que o relacionamento seja real. Cada relacionamento é independente, é uma relação entre indivíduos autônomos.”

Prepare-se para o deliciosamente inesperado

Ser livre para ser espontânex – para expressar-se sem medo de punições ou do fardo do “tem que” – é o que dá vida às relações baseadas em anarquia de relacionamento. É organizar-se a partir do desejo de conhecer e explorar um(a) a(o) outrx, e não dos deveres e das exigências, ou da decepção quando eles não são cumpridos.”

 

Mais aqui: https://amoreslivres.wordpress.com/2013/07/20/relacionamentos-anarquicos-em-8-pontos/

Testando a trilha

Ando um pouco em silêncio porque estou precisando refletir diariamente e tenho dificuldade de escrever pensamentos incompletos demais.

Não estou super explorando todas as possibilidades de relacionamentos. Estou tranquila e bastante ocupada manejando o fim do casamento… Nada fácil. Mas o Fabio é bastante maduro e tudo está caminhando.

Nesse meio tempo, continuei com A., numa relação muito gostosa, à vontade, entregue. Como já contei, A. é amigo, muito próximo e, inclusive, trabalha comigo. Fabio também. Daí, dá pra imaginar a delicadeza da situação. Estou engajada em preservá-los… pelo menos na maior parte do tempo. rs

Testando
Mas eu escrevi tudo isso aí pra contextualizar. O teste mesmo é outra coisa.

Esta semana, estávamos em uma festa pequena, privada. Fabio, A. e eu e mais umas 20 pessoas. Eu doida pra aproveitar o momento com o A., mas sem querer expor ele nem o Fabio. Então fui ficando na minha, só desejando não gerar uma situação ruim para nenhum deles. Fabio não está tranquilo ainda.

Passou um tempinho, olho pra trás e vejo A. beijando uma menina. Parei. Em vez de um esperado turbilhão de pensamentos e sensações, minha mente esvaziou e pensei: pára e sente. E senti duas coisas: tesão e felicidade por ver o A. se divertindo. Eu não estava empatando ele. Isso me deu uma sensação boa que não tinha sentido forte assim ainda. Passei no teste. : )

É claro que eu sabia que era só uma pegação que ía passar. E o teste se refere a isso apenas. Preciso ainda experimentar outras sensações em mim. Como, por exemplo, saber que quem eu amo ama também outra pessoa. Acho que lido bem, mas só vivendo pra saber… Por ora, fico com a sensação boa de ser livre e deixar livre. Boa demais.

—— alteração 11/08/2013 —–

De tão natural e confortável que é, acabei não me dando conta que já vivo com um amor amando outra alguém. O A. tem um amor grande e cheio de carinho que eu adoro incentivar. E eu amo esse amar. Teste 2 vencido. 🙂 Fico com a sensação boa de amar e deixar amar. Boa demais.

Ela era americana

e difícil de ler.

Não me deu a menor bola. Mas aí a gente se encontrou no corredor, trocou ideia, desceu tomar um chá. Eu já estava indo dormir. Ela, não sei.
Na cantina, ela não parecia querer saber de mim. Disse logo: I really want to kiss you.

Mais um indicador do meu radar defeituoso.

Eu também queria beijar. Beijei.